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Por Beatriz Bergmann

O  Ironman fascina. Penso que seja pelo fato de ser muito difícil. Por ser difícil, o respeito aumenta. O IRONMAN nos proporciona o prazer de sentirmos todas as sensações, desde  dor e  frustração, até  êxtase e  euforia. Tudo isso num só dia, onde somos capazes de romper limites, alcançar o que parece inatingível, e é por isso que fazemos, para nos superarmos e sentirmos um real prazer de VIVER!

Num Iron, o barato de competir não é a competição por si só, e sim o fato de estarmos juntos de pessoas que gostam e se divertem como você, é grande essa identidade. Nadar 3800 metros, pedalar 180 km e correr 42 km não é uma tarefa fácil. Não adianta somente estar bem treinado, é necessário traçar uma estratégia correta, de alimentação e hidratação, controlar o ritmo, e estar focado e concentrado do inicio ao fim. Afinal mais do que uma simples competição, é uma prova contra você mesmo. No Iron, mais importante, do que o tempo realizado e a colocação alcançada,  é cruzar a tão sonhada linha de chegada!

Posso dizer que completar o Ironman, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Pelo feito em si, pois acima de tudo impressiona muito, quem vê de fora, causa admiração e espanto. E em especial, também, pela presença de amigos, dos meus pais e do meu namorado. Completar o ironman é o resultado de muito treinamento e algum sacrifício, embora durante a prova não lembramos da longa jornada extenuante que tivemos por 4 meses,  chegando a ser algo até sacrificante. Ou, melhor, sacrifício não, a palavra correta é muito EMPENHO, para atingir um grande objetivo.

Na véspera, deixamos a bicicleta na transição e já começamos a pensar que em poucas horas chegaria o momento esperado por tanto tempo. O despertador tocaria às 4h da madrugada (nada diferente da rotina de treinos...), mas bem antes já estava acordada pensando e tentando imaginar como seria o meu dia...

O clima da prova é indescritível, a ansiedade predomina, os minutos passam voando, quando vi já estava entrando no mar com mais de 1000 pessoas. Ao sair da água a transição é longa, mas compensada pelo corredor humano de gritos de incentivo e admiração.  E no meio da multidão, ainda consigo ouvir e ver meu pai e minha mãe! Na entrada da transição, há um verdadeiro exército de voluntários, buscando as sacolas gritando por seu número, como se você fosse o primeiro a sair da água. Cada voluntário, e cada expectador demonstram desejar, que você complete a prova, tanto quanto como se fosse ele em seu lugar.


Saio para os 180Km de pedal, só aí que percebi que estava frio. Durante o percurso tudo bem, seguindo toda a alimentação sugerida pela nutricionista, mas quando chegou nos 120km, não conseguia mais comer, segui apenas com gel. Nos 150Km estava de “saco cheio” de pedalar, foi quando o Arthur encostou com a motinho, há alguns metros do meu lado e pergunta: “Ta tudo bem?”. Pra quê, comecei a chorar na hora... e ele fala (chorando também!): calma, ta acabando, daqui a pouco você vai fazer o que mais gosta: CORRER!!!

E assim foi!!! Saí para os 42,195Km de corrida. Aí tive a certeza de que não havia nada que pudesse me impedir de completar a prova. Uma volta de 21Km e duas voltas de 10,5Km. Não teve barreira nos 30, 32 nem 36Km, aliás, a última volta foi na qual eu me senti melhor, claro que doía tudo a cada passada, mas a sensação de estar perto de concluir a prova, era tão boa, que o corpo continuava correndo e a mente pensando em coisas boas, no caminho percorrido para chegar até ali...


Não há palavras possíveis de descrever a sensação sentida ao percorrer o último quilometro. Veio o funil de chegada, na entrada meu namorado, mais à frente meus pais. Que emoção, corri, chorando e finalmente cruzei a tão almejada linha de chegada, com as pernas pesadas e a alma leve, muito leve!!!