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 Gasto Energético e Corridas de Longa Duração

Se fizéssemos uma pesquisa para avaliar quem nunca abusou um pouquinho mais na pizza, na feijoada ou mesmo em uma refeição super balanceada após um dia de treino longo e pesado verificaríamos que tais indivíduos não existem, ou são muito raros. O fato é que temos a falsa sensação de poder comer o que quisermos e em qualquer quantidade quando estamos nos preparando para uma maratona (ou mesmo meia maratona), o que na maior parte dos casos não é verdade.

É fato indiscutível que a atividade física aumenta o gasto energético e, consequentemente, é capaz de promover um processo de emagrecimento (diminuição do conteúdo de gordura corporal). Afinal de contas, estamos gastando energia em uma intensidade muito maior do que quando estamos trabalhando, dormindo e vendo televisão. Entretanto, o que também é verdade que o gasto energético aumentado depende de alguns fatores, como sexo, idade e nível de condicionamento.

É fácil entender que homens gastem mais calorias que as mulheres, afinal de contas eles tem mais massa muscular. Ao mesmo tempo é compreensivo que indivíduos mais novos gastem mais calorias. O que fica difícil de entender é porque quanto mais condicionado estamos menos calorias gastamos.

Vamos nos lembrar que nós, seres humanos, evoluímos de um homem das cavernas. Um homem que quando tinha fome tinha de procurar alimento e gastar energia para tanto. Quando havia escassez de alimentos, a procura era maior e, consequentemente o gasto também era maior. Se este homem não tivesse criado um processo de adaptação é bem provável que ele, quer dizer nós, estivéssemos extintos.

Felizmente, criamos um processo de adaptação conseguindo gastar menos energia para realizar um “trabalho” quando a freqüência deste é muito alta, ou seja, quanto mais adaptado ao exercício estamos, menos calorias gastamos.

Se este processo era eficiente há um milhão de anos, agora ele pode ser um grande problema, afinal de contas, não gastamos mais energia para nos alimentar como antigamente, pois temos fácil acesso aos alimentos (possuímos geladeiras, comidas congeladas, comidas enlatadas, comidas “via telefone”, supermercados, ...), ou seja, a falsa sensação de aumento de fome não é proporcional ao real aumento do gasto energético.

O que devemos fazer é procurar criar um padrão alimentar balanceado, assim conseguimos atender a falsa sensação de poder comer mais sem comprometer o peso e a performance esportiva. No entanto, neste processo ainda vemos um segundo problema: o período pós maratona.

Após a maratona a intensidade dos treinos cai e, consequentemente, o gasto energético diminui imediatamente. A sensação de fome, entretanto, demora um pouco mais para diminuir e esta diretamente relacionada ao gasto calórico. Sabe qual é a conseqüência? Aumento do conteúdo de gordura corporal.

Para não correr tais riscos, procure ter uma sensibilidade para sentir os sinais do seu corpo. A sensação de fome e saciedade são ótimos indicativos da real necessidade de alimentos, mas lembre-se: fome nos sentimos na barriga, o que sentimos na boca é vontade, normalmente conhecida por gula.

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  Graziela Friedler - CRN. 9768
  Nutricionista Run & Fun
  grazielanutricao@uol.com.br