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Corrida de Longa Distância

A corrida de longa distância exige do atleta técnica para as diversas superfícies e uma biomecânica diferenciada das outras modalidades de corrida. A angulação de inclinação do tronco durante a corrida varia de 5º a 9º nos corredores de longa distância, nos corredores de velocidade é de 25º e nos corredores de meio-fundo 15º. [1]

Essa biomecânica consiste em movimentos corretos na passada para que não ocorra complicações durante o treinamento e leve ao surgimento de lesões.[1]

Os pés são as primeiras estruturas que entram em contato com o solo. Eles acabam absorvendo o impacto das passadas e podem não suportar os desgaste e sofrer vários tipos de lesões. Com a corrida, há uma maior sobrecarga de forças geradas pela ação da gravidade (peso corpóreo sobre o solo) e o contrário a essa força, ou seja, do impacto do solo sobre os pés.

A hiperpronação do pé é um dos fatores biomecânicos de maior risco encontrados nas lesões por sobrecarga. O pé pronado associado com a atividade concêntrica da musculatura pronadora provoca trabalho excêntrico da musculatura supinadora. Este trabalho da musculatura supinadora predispõe às lesões por sobrecarga. [2]

Na corrida de longa distância, as lesões mais freqüentes são as lesões de estresse ou de sobrecarga, tais como fraturas de estresse, tendinites, fascite plantar, síndrome do estresse tibial medial, síndrome do trato ílio-tibial e etc. [2]

Uma das principais lesões é a fratura por "stress", que representam 4,7% a 30% das lesões encontradas em corredores, encontradas na maioria na tíbia (49,9%), ossos do tarso (25,3%), metatarsos (8,8%), fêmur (7,2%), fíbula (6,6%),

pelve (1,6%), sesamoides (0,9%) e coluna (0,6%). [3,4,5]. Geralmente surge no início da temporada em que o atleta encontra-se sem preparo físico ou com mudanças de superfícies de treinamento, calçado inadequado para determinado tipo de solo, erros na periodização de treinamento, distúrbios anatômicos, biomecânicos, nutricionais e hormonais [5,6]. O pé recebe o impacto constante do solo e não resiste. Portanto um bom calçado para cada tipo de corrida, ameniza o problema.

A tendinite de calcâneo, pode surgir por esforço repetitivo em atletas recreacionais ou competitivos, originando as famosas tendinites de calcâneo. O inicio dos sintomas da tendinite do calcâneo é gradual e insidioso. A atleta queixa - se de dor intensa e constante no tendão, durante ou após a corrida. O corredor pode observar um discreto inchaço na região da dor e dor ao realizar fortalecimento e ou alongamento da panturrilha.[6,7]

A fascite plantar é aquela dor encontrada na curvatura da sola do pé. A fáscia plantar é uma densa tira de tecido que sustenta o arco longitudinal (que vai do calcanhar em direção aos dedos do pé). Este arco ajuda na potência de arranque para a corrida e os saltos. Esta lesão também é causada por "overuse" e/ou "overtrainning" - excesso de treino; é encontrada em atletas corredores que tem o pé cavo rígido, assimetria de membros inferiores, encurtamento do tendão calcâneo ou que realiza uma hiperpronação. Por esse motivo, o uso preventivo de uma palmilha é de extrema importância para resolver o problema. [8,9,10]

Outra lesão encontrada e que por muitas vezes é mal diagnosticada, é o neuroma interdigital , popularmente conhecido como Neuroma de Morton. É um tumor benigno de tecido fibroso, encontrado no antepé, ou seja, entre a bases dos dedos e o início da curvatura embaixo do pé. A queixa principal é a sensação de queimação ou de choque elétrico no antepé, que por muitas vezes pode ser

confundida com uma pedra no sapato. O uso de uma órtese também é indicado neste caso. [6]

Outro tipo de lesão é a sesamoidite, que é a inflamação dos tecidos que circundam dois pequenos ossos encontrados no início da curvatura do pé (região localizada na sola do pé, logo abaixo do "dedão"). O atleta mais propenso a esta lesão é aquele com pé cavo rígido. Uma palmilha semi-rígida no local pode proporcionar o alívio da dor. [6]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Fu F, Stone. Sports injuries. Mechanisms, prevention, treatment. Track and Field 1994;679-677.

2. Busseuil C, Freichat P,Guedj EB, Lacour JR. Rearfoot-Foreffot orientation and traumatic risk for runners. Foot and Ankle 1998 Jan;19 (1).

3. Bennell Kl, Malcolm SA, Thomas SA, Wark JD, Brukner PD. The incidence and istribution of stress fractures in competitive track and field athletes. Am J Sports Med 1996; 24 (2):211-217.

4. Watson MD, Dimartino PP. Incidence of injuries in high school track and field athletes and its relation to performance ability. Am J Sports Med 1987; 15 (3):251-254.

5. Monteleone GP Jr. Stress fractures in the athlete. Sports Medicine 1995 Jul;26(3):423-432.

6. Andrenws James R, Harrelson Gary L, Wilk Kevin E. Reabilitação Física das Lesões Desportivas. Guanabara Koogan; 2000. p.224-231.

7. Willian E. Prentice. Técnicas de Rehabilitación em la Medicina Deportiva. 2001. p.495-497.

8. Quaschnick RN. The diagnosis and management of plantar fasciitis. Quaschnickms 1996 Apr;21 (4).

9. Creigton, D Olson, V. Evaluation of range of motion offirst metatarsophalangeal joint in runners with plantar fasciitis. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 8:357-361. 1987.

10. Tanner, S Harvey, J. How we manage plantar fasciitis. Physician Sportsmed. 16:39-48 1988.

Dr. Leonardo Signorini
CREFITO 3 / 41.565-F
www.sospalmilha.com.br


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